Pirando na Batata

Um pouquinho sobre minha vida na Alemanha. * Comentários serao moderados. * Comentários anônimos poderao ser publicados com seu número de IP e outros dados de sua conexao. * Comentários ofensivos poderao ser denunciados e estao sujeitos às penalidades previstas no Código Penal. * Perguntas sobre onde comer, dormir, trabalhar e aperrear a paciência alheia na Alemanha, procure no Google ou no Orkut, nem perca seu tempo postando aqui. Aos que vieram aqui de boa-vontade, sejam bem-vindos!!!

25.12.05

Pixoxos in London

Aguarde... em breve neste blog:

Noticias de Londres - Pixoxozinhos desbravam a capital britanica!!!

Merry Christmas!!!

24.12.05

Brindar 2006

Recebi da Marga, achei muito lindo!



meu desejo é brindar com todos vocês o novo ano!!!

feito folha, feito água, feito amor...

Um brinde! Um belo 2006 para todos!

23.12.05

Turco nascido na Alemanha? (Resposta à Paola)


A Paola fez uma pergunta muito interessante, melhor criar um post para responder. Quem nasce na Alemanha, nao é alemao? Nao, nao é! Na Europa a sua nacionalidade depende da nacionalidade dos seus pais, nascer aqui ou ali, tanto faz, isto é apenas o seu local de nascimento, mais nada. Por isto muitos descendentes de europeus, mesmo que nascidos no Brasil, sao reconhecidos como cidadaos do país de onde seus ancestrais vieram.
Se um filho de turcos nascer na Alemanha, ele é turco porque os pais dele sao turcos. Lógico que muitos ganham a cidadania, mas em detrimento da anterior. Ou seja, ele tem que renunciar à cidadania turca pra ficar com a alema.
Se um filho de ingleses nascer na Alemanha, ele será inglês... e assim por diante, só nos documentos constará - Nacionalidade: Inglesa - Local de nascimento: Berlin
e nada mais.

A grosso modo é isto, lógico que é um assunto super complexo e depende de muitas outras variáveis, nao sou especialista no assunto e por isso nao vou entrar em detalhes, só estou contando o que sei.

Mas pense bem: imagine aqui na Saxônia, um monte de gente clara, olhos e cabelos claros, cabelo fininho, daí você é narigudinho, cabelo volumoso, ondulado e escuro, pele meio bronzeada, olhos escuros, sombrancelha grossa... As pessoas vao te olhar na rua e te identificar como um turco. Mesmo que você tenha cidadania alema, mas quem é que vai saber? E pior ainda no caso das mocas que saem de véu na rua... Leiam os textos "O novo muro de Berlin" e "Garotas turcas na Alemanha", dá pra entender um pouco melhor. Nem todos se integram à cultura local, documento fica no bolso e nem sempre diz muita coisa...

É uma coisa complicada e se formos pensar bem, nao pertencemos a X ou a Y, nós somos nós mesmos, independentes de local de nascenca. Nós somos cidadaos do mundo!

22.12.05

Desmentido: A história do Leite Pasteurizado

http://www.quatrocantos.com/lendas/247_tetra_leite_longa_vida.htm

Este site é muito interessante tem um índice com TODOS os boatos possíveis e imagináveis que rolam na Internet... inclusive bom para consultar antes de repassar correntes, pedidos de ajuda para criancas, vírus, blablabla...
(Ainda nao me perdôo por ter caído na história do Bonsai kitten! Hehehehehehehe! ;-)

Ensina-me a viver - Harold & Maude



Ontem à noite foi a última aula de alemao do ano. Foi na casa da nossa professora. Vou falar um pouco dela: Uma criatura tranqüila, discreta, com um gosto declarado pelo alternativo, diferente, bicho-grilo, ela nao curte moda, nao dá a mínima bola pra roupa. Ela é casada com um africano e possui uma belíssima filha de sete anos.
Fiquei encantada pela menina, além de ser linda e ter personalidade, fala 3 idiomas fluentemente e passaria por brasileira tranqüilamente. Eles moram numa casa espacosa, de paredes coloridas, muito acolhedora.

Nos reunimos lá, a professora preparou as bebidas, nós levamos alguns doces e salgadinhos, todo mundo foi se juntando no sofá, conversando, etc.
Como a maioria do pessoal estava na faixa dos 30 ou acima, acabamos escolhendo o filme "Harold & Mauve", escolha que nao agradou aos outros dois jovenzinhos que estavam lá, mas nao tem como agradar gregos e troianos e eu nao queria assistir A Lista de Schindler sem legenda e que ainda por cima duraria 3 horas. Ótimo filme, mas nao era a ocasiao.

No Brasil o filme se chama "Ensina-me a viver" e acho que o pessoal nascido nos anos 70 deve se lembrar. Eu assisti quando era crianca e incrível como muitas partes do filme ficaram vivas em minha memória por todos estes anos. O filme é maravilhoso, um clássico atemporal. Para quem nao sabe é a história de um jovem rico, com tendências mórbidas e suicidas. Ele nao encontra prazer nenhum na vida e sonha em morrer. Até que encontra uma velhinha perto dos 80 pela qual ele se apaixona perdidamente.
O filme é lindo, é a melhor comédia romântica que eu já vi. E fora isto, os carros, o figurino, os cortes de cabelo, a trilha sonora que vai de Cat Stevens a Tchaikowski. E também algumas mensagens nas entrelinhas onde aparece o Padre, o General, o Analista freudiano, a Mae ... de uma forma muito sutil os padroes da sociedade sao questionados e além disso dá pra dar umas boas risadas... Lindo! Terno! Maravilhoso! Uma obra prima do cinema!

O duro foi agüentar os comentários de uma colega do leste europeu durante o filme. Ela teve reacoes de nojo, reprovacao e repulsa durante o filme todo. O filme a incomodou demais, ela nao parou quieta e até que uma hora ela foi pra outra sala falar ao celular.

Quando o filme terminou a professora promoveu um debate, bem descontraído sobre as opinioes, o iemenita, a Odete (brasileira) e eu simplesmente adoramos! E é também um dos filmes favoritos da nossa professora. "Sem querer querendo" dei minha cutucadinha, lógico, vocês me conhecem. Disse que o filme deve ter chocado as pessoas tradicionais da época, que muitas pessoas se vêem um homem velho com uma mocinha dizem: Pobre moca, ela nao tinha dinheiro, ele é como um pai para ela. Mas se vêem uma mulher velha com um jovem acham nojento, pouca-vergonha, etc... Que eu achava que certos valores tinham que ser questionados mesmo. Mas falamos sobre muitos outros aspectos do filme, para quem soube aproveitar foi muito produtivo!!!

O curso de alemao fechou o ano com chave de ouro!

20.12.05

Vêm de berco mesmo?



Vou contar uma história que me fez pensar algumas coisas. Noite dessas foi o jantar de final de ano do departamento onde trabalho. Foi realizado num buffet. Eu estava na fila com uma colega e fui pegar primeiro a salada, no que ela me disse: Jana, nós sim é que fazemos o correto, pegamos a salada primeiro. Como resposta, apenas sorri e fui logo para a mesa. Dali há pouco vem esta colega, carregada com dois pratoes transbordantes de comida e sentou faceira à mesa. Alguns colegas comecaram a tirar sarro dela. Ao que ela respondeu "Eu venho de família simples!"... "Simples mas calorosa!".

Por um lado gostei da resposta porque calou a boca de todo mundo na hora. Por outro lado achei a resposta sem nexo. Ok, eu já tenho uma certa implicância natural com ela pelo fato dela nao tomar banho, cheirar mal e nao depilar as axilas. Como se nao bastasse isto, ela acha bonito nao tomar banho e vive alardeando pelos quatro cantos do mundo que ela nao precisa de tantos banhos, que ela nao dá banho nos filhos, que tudo isto é uma grande besteira, exagero, etc. Tudo bem, eu até respeitaria a posicao dela se ela nao cheirasse continua e terrivelmente mal prejudicando o meu bem-estar.

Fiquei pensando sobre isto de ter um nascimento modesto... Apesar de eu nao ter conhecido, jamais me esquecerei das sábias palavras do pai da Candy: uma pessoa inteligente chega num restaurante e por mais que ela nao saiba usar aquele monte de talheres, ela tenta aprender observando aos demais. Uma pessoa burra devolve todos pro garcom ficando apenas com uma colher, e ainda se julgará esperto por isto. E eu ainda junto mais coisas neste pensamento: Por mais que a pessoa seja chique e bem nascida, se ela vai visitar pessoas que só sabem comer com colher ela nao irá humilhar ninguém dando uma verdadeira aula de boas maneiras, mas acredito que esta pessoa comerá tranqüilamente com uma colher também. Uma pessoa inteligente é aquela que se adapta ao local onde ela está. E acredito que boas maneiras tenham em primeiro lugar a ver com humildade.

Antigamente etiqueta era só pra ensinar como se comportar à mesa, mas hoje em dia é uma questao de relacionamento com o próximo. Uma pessoa que fica atazanando os outros com regrinhas nao estará tendo boas maneiras. Ao contrário, é um tiro que sai pela culatra. Parece que houve uma época, acho que nos anos 60 onde era bacana ser bicho-grilo e nao ter etiqueta nenhuma. Isso era sinônimo de ser legal, descolado, desencanado, fora dos padroes pré-editados pela sociedade blábláblá. Só que esse trem já passou faz tempo e hoje bons modos sao extremamente necessários, estamos num mundo globalizado, onde a gente tem que se virar em outros idiomas, com pessoas de outras culturas. De repente isto ganhou um valor imenso!!! Qualquer erro pode ser fatal numa negociacao ou até mesmo na hora de paquerar uma pessoa estrangeira.

As boas maneiras sao importantes nao mais para distingüir a nobreza da plebe, mas para mostrar para aquela pessoa que ela é importante para você e que você se importa com ela, a respeita e se preocupa com o conceito que ela tem de você! Como disse Claudia Matarazzo: "As pessoas perceberam que o bom comportamento é importante para melhorar as relacoes interpessoais (...) Nao é uma frescura, é uma necessidade".

Estou eu, Janaína, postando isto aqui... sei que sou um péssimo exemplo, mas vocês que sao meus amigos de anos me conhecem e sabem o quanto eu me esforcei estes anos todos para melhorar e como me espelho em cada um de vocês.
Uma vitória foi aprender a comer de hashi. E fiquei super feliz o dia em que a Lan, nossa amiga chinesa, nos convidou para jantar na casa dela. O cardápio era composto por especialidades da terra Natal da anfitria. Ela se sentiu muito honrada quando percebeu que todos os convidados estavam comendo com hashi ao invés de garfo e faca. E eu fiquei duplamente alegre, pois só Buda sabe quantos sushis eu desmoronei para aprender a comer de pauzinhos.

E outro dia, num encontro com outras brasileiras, comecamos a conversar sobre costumes nada formais que nossa família tinha em casa. Demos boas risadas, aliás ótimas risadas. Mas fiquei encantada percebendo o quanto cada uma ali tinha descoberto seu próprio caminho e aprendido outras maneiras fora de casa, observando amigas refinadas, ou mesmo tendo aulas, pessoas que amavelmente corrigiram, etc. Mas nenhuma das mulheres ali presentes denunciavam pelos modos a simplicidade dos pais.

E também acredito que nao saberemos educar os nossos filhos para todas as situacoes que eles encontrarao no futuro, mesmo porque muitos costumes mudam com o passar dos anos. Sou nascida em 1976, imagine se quando mandei meu primeiro e-mail na vida alguém me avisou que era falta de educacao escrever tudo em maiúsculas? Lógico que nao. Hoje em dia esta é uma regra de conhecimento geral. Outra coisa interessante: Celular. Fui ter meu primeiro com 22-23 anos de idade e naquela época nem tinha identificador de chamadas. O telefone tocava e você tinha que atender e nao tinha como saber quem era. Lógico que nossos pais nao estavam preparados para nos ensinar a lidar com estas parafernálias tecnológicas que hoje fazem parte do nosso dia a dia. E nós passaremos pela pela mesma situacao com os nossos filhos. Só espero que consigamos educá-los flexíveis o suficiente para aceitarem novos costumes e formalidades, sem achar que isto é besteira e sem se escorarem no desconhecimento e simplicidade da geracao anterior.

19.12.05

Final de livro: ler antes ou nao?


Deste aí nao consegui ler o final nao!

Tenho essa mania de ir lendo o livro em frente. Algumas pessoas dizem que sou ansiosa, outras que sou estraga-prazer, que sou maluca, que nao faz sentido fazer isto, pois a leitura perde a graca.

Gostaria de trazer alguns pensamentos meus sobre o assunto, pois já fui duramente criticada por isto. Em primeiro lugar o livro é meu e eu leio como quiser. Hâ? Esse argumento nao serve? Ah... tá bom, vou tentar outro:

A vida é um livro, uma história. A única certeza que eu tenho da minha história é que morrerei no final. Isto nao é um argumento para eu encerrar esta obra aqui, neste momento, minha vida nao perdeu a graca por eu saber que no final dela morrerei, por isso mesmo vocês vao ter que aguentar minhas abobrinhas e batatatinhas por muito tempo. O que eu quero dizer é que o prazer da leitura está na jornada e nao no fato de descobrir como a história acaba.

O fato de eu ir lendo adiante, é analogicamente, como se eu, na minha própria vida, brincasse de ir na sortista, na taróloga pra tentar ler meu futuro nos búzios. Porque às vezes lendo o livro adiante, podemos descobrir algo da personagem X que depois, lendo o livro direitinho, vamos descobrir que exatamente ali ela havia mentido e só foi esclarecido exatamente na parte que vc nao leu, algumas páginas adiante.

Outra coisa: Livro bom, saber o final nao estraga, só dá mais apetite! A nao ser que você goste de ler crimes e que o assassino é revelado na última página. Sorry, mas na minha opiniao eu nao vou gastar meu tempo lendo um livro que o desfecho cabe em algumas linhas no final da última página. Isto, na minha humilde opiniao, é coisa de livro mal escrito. A prova disto é ler O Retrato de Dorian Gray. Eu li o final antes, fiquei impressionada com o que levaria àquele desfecho e nao consegui largar o livro. Isto que eu li em inglês, o que fez com que eu demorasse mais para ler, pois nao consigo ler na mesma velocidade que leio em português.

Querem outras provas? Por que Romeu e Julieta nunca caiu de moda? Trocentas geracoes estao cansadas de saber que eles se suicidam no final!!! E no entanto, todos os anos a história é novamente reencenada, seja em livros, teatros, cinema... o que for! Todos querem ver!!! Mesmo sabendo o fim.
A mesma coisa Os sofrimentos do jovem Werther. Todo mundo sabe que ele se mata no final... e todo mundo continua lendo a história. Tróia, a mesma coisa... E poesias entao? Que é algo que nao tem fim???

Isto prova que a delícia é o desenvolvimento da trama, a poesia envolvida, os sentimentos e nao o final.

O livro que eu ler o final antes e perder o tesao de lê-lo é porque é uma historinha muito boba! Ainda bem que nunca achei nenhum livro ruim e sempre continuei lendo tudo adiante.

Mas uma coisa para pensar: E os livros que sao estudos, que é algo que nunca termina? Os livros em que uma idéia é apresentada... Ler o final, vai mudar alguma coisa? Você vai tirar 10 na prova de Comportamento Organizacional porque leu o final do livro do Stephen? Claro que nao!

Entao, amigos, nao me estranhem porque eu leio o final do livro sim e continuarei lendo! Nao me julguem por isto, meu barato na leitura é o desenrolar e nao o final em si!!!

Gueixa



Estou felicíssima! Um dos meus livros prediletos vai virar filme! Sexta-feira assisti ao trailler no cinema, meu coracao chegou a disparar de tanta emocao!
O nome do livro é Memórias de uma Gueixa de Arthur Golden.
Só nao lembro quando vai entrar em cartaz. Quero ser a primeira a assistir!!! O trailler é lindo e pelo que parece será leal ao livro e terá uma fotografia lindíssima, de encher os olhos.

Wir sind der Iran


Trad.: Nós somos o Iran

Para minha surpresa, ganhei este livro do Ike-Noel. Eu nao esperava ganhar mais nada, mas outro dia fiquei no shopping matando tempo até a hora do jantar de final de ano do departamento onde trabalho e ... lógico que fiquei enfornada na livraria!
Depois comentei com o Ike sobre os livros legais que vi e nao é que no dia seguinte o danadinho foi lá e comprou dois deles?

Ainda nao comecei a ler, mas este livro é sobre os jovens do Iran, que encontraram na Internet uma poderosa ferramenta para manifestarem o que pensam: O Blog.
Estou louca pra comecar a ler.

Demänovka


Óia a marvada aí! Cuidado com ela!

Sábado inventei de cozinhar! Convidamos a Osmarina e o Ricardo para jantarem lá em casa. Tentei fazer um frango tailandês, nao ficou bom como o original, lógico, mas deu pra comer. Fizemos como sendo a nossa ceia de Natal, já que nós passaremos a data em Londres e eles em Barcelona. Eu e a Osmarina nos empolgamos com um licor eslovaco, presente da Fabi e do Jörg em sua última visita. Nós havíamos guardado no congelador para uma ocasiao especial, eis que a ocasiao chegara. A bebida se chama Demänovka e tem 38% de álcool. Eu e a Osmarina bebemos a garrafa quase inteira. Comecamos a cantar músicas do Roupa Nova fazendo o saleiro e o pimenteiro de microfone... Nossos maridos pasmos observando, o Ike até filmou uma das nossas performances.

E pra quem pensa que acordamos imprestáveis no dia seguinte, engana-se: a Osmarina foi trabalhar e eu passei o dia bem, nao tive dor de cabeca, nem enjôo, nem nada. Domingo foi um dia normal e ainda nos encontramos à noite no Sausalitos, nós quatro, a Bruna e o Peter. Mas desta vez só tomei Ice Tea.

Jabuticaba



Recebi hoje por e-mail, da Dionara, hummmmmmm nao tem Jabuticaba aqui na Alemanha! É uma das minhas frutas favoritas, morro de saudade!!!

O engracado era o título do e-mail: Para trepar e chupar, daí eu abri e tinha essa foto aí... Mas já dizia um velho ditado: "Feliz é a jabuticaba que nasce grudada no pau e morre sendo chupada!".

18.12.05

Pixoxó



Para quem nao sabe (eu também nao sabia!) este passarinho se chama Pichochó. Sempre fui contra (pra variar) casais que se dao apelidos ridículos. Mas quando comecei a namorar o Ike, o Pixoxó (com X pra ficar mais bonitinho) veio à baila e grudou.
Taí o bichinho! Nao poderia faltar aqui no blog, né?

16.12.05

Tradicao



Olha só que legal: antigamente as carnes eram defumadas assim. Minha mae cresceu em um sítio no Rio Grande do Sul. Várias vezes ela me descreveu como as deliciosas lingüicas típicas da regiao eram feitas. Os relatos dela eram repletos de detalhes, sabores, cheiros, barulhos e formatos. Quando vi este defumador no Weihnachtsmarkt de Goslar, nao tive dúvida que estava diante de uma das coisas que minha mae gostava tanto de descrever com uns olhos cheios de saudade da infância.
Ah! E na foto estou com o gorrinho que a mae da Renatinha tricotou para mim! Lindo nao?

Belíssimo: Orloj de Praga



Se você quiser uma foto nítida e bonitinha do famoso Relógio Astronômico de Praga, o Orloj, nao vai ser neste blog que você encontrará. Esta foto foi tirada pela Cris, nós estamos nela, por incrível que "nao apareca"! Gosto muito desta foto porque ela mostra só o brilho do relógio na noite. Curti a obscuridade e o segredo da foto.

Este relógio é cheio de lendas e histórias. Foi construído em 1410, existem livros que apontam o construtor como Hanus e outros como Mikulas de Kadan e Jan Sindel. Ao decorrer do tempo ele foi ganhando incrementos e durante a Segunda Guerra Mundial foi destruído pelos alemaes, pois este relógio fica no prédio da Prefeitura, portanto, alvo de inimigos. Diz a lenda que o relojoeiro ao terminá-lo foi cegado, para que nao construísse outro. Este relógio é demasiadamente belo e ainda quero voltar a Praga para poder ver a mudanca de hora, pois o relógio é animado por estátuas e quem troca a hora é a Morte. Existe um galo que cacareja no alto do relógio e há um "desfile" das estátuas dos 12 apóstolos.

Achei um link legal sobre o Orloj quem se interessar e/ou quiser ver uma foto decente, é só clicar!

15.12.05

Ahhhhh!!! Com que roupa eu voooooooouuuuu?


Carolina Herrera, sou louca pelo design dela!

Se tem uma pergunta que foi gradativamente sumindo do meu vocabulário desde que cheguei na Alemanha foi a célebre "Com que roupa eu vou?".

Vou contar um "causo": Noite destas fomos a um aniversário. Era do marido. A mulher dele veio abrir a porta. Ela estava de calca jeans velha, cortada na canela, uma blusa regata, tipo estas que a gente usa pra dormir, descabelada com uma piranha no coque e cara lavada. A minha reacao automática foi perguntar: "Erramos de dia?" - Mas engoli a frase. A impressao que eu tive é que ela estava naquele momento limpando a casa. Mas nao... Ela estava vestida pra a festa de aniversário do marido mesmo!!! E o resto do pessoal que compareceu tudo meio que no mesmo estilo, cara lavada, cabelo de qualquer jeito, calca jeans, blusa normal e tênis ou bota. Bem à vontade. (E eu tava de vestido, sandália de salto, cabelo escovado, maquiada de leve e com brinco grande).

Outro causo: Festa de Ano Novo do ano passado. Fomos à uma festa num bar muito legal aqui de Braunschweig. É um bar que normalmente vai um pessoal bonito, bem vestido e a faixa etária é bem abrangente. Tava nevando, mas mesmo assim me preocupei em colocar uma blusinha bonitinha embaixo do casaco porque dentro do bar é quentinho, me maquiei, coloquei brincos grandes, etc. Da cintura pra baixo fui de jeans mesmo e bota sem salto porque escorregar na neve nao é nada gostoso e pode ser fatal. Chegando na festa... Um pessoal de calca jeans velha, desarrumado, jaqueta de ski (que eu acho o fino da breguice, jaqueta de ski é pra esquiar!) bota antiderrapante (parece um sapato de protecao que a gente usa na linha, nas fábricas)... Mesmo as mulheres vestidas assim. Lógico que no meio haviam pessoas que saíram de bailes e apareceram por lá de vestido longo, strass, penteado e também havia um pessoal vestido com roupa de modinha, mais arrumado. Mas pelo menos metade da galera que tava ali estava usando uma roupa qualquer, sem brilho, sem cores ou tecidos especiais. Nem parecia que era Ano-Novo!

Mais um: Este ano, jantar de final de ano do departamento. Nossa!!! Lembrei de quando eu trabalhava no Positivo. A festa de final de ano da empresa punha a mulherada em polvorosa 15 dias antes da festa com a célebre frase de banheiro feminino "Com que roupa você vai?" Era sempre uma preocupacao e às vezes até uma disputa sobre quem envergaria o modelito mais trend da ocasiao. Agora, aqui, você acha que alguém dá bola pra isso? O pessoal compareceu ao jantar bem vestido, mas bem mais tranqüilo, sem preocupacao de se exibir com roupa. Eles têm uma postura muito relax em relacao à isto.

Desde que estou aqui mudei muito meu ponto de vista sobre roupa. Sinceramente ainda morro de vontade de tascar salto agulha, saia, meia calca, top... Mas nao dá mais graca! Vou chegar no lugar e pagar mico porque ninguém lá estará vestido assim! Entao antes de sair sempre acabo pensando: Pra que vestir isto se as outras mulheres nao estarao vestidas assim? E acabo deixando este tipo de roupa de lado, optando sempre pelo prático e confortável. No verao até que dá pra ser um pouco mais ousada. Mas definitivamente nao me visto mais como no Brasil, meus vestidos e sapatos de salto estao aposentados há tempo. Depois de pegar uma calcada medieval com salto... Never more!!! Nie wieder!!! Nunca mais!!! O sapato voltou arregacado, andei como uma pata pela calcada, fora os pés doendo depois. Entao a tal "chiqueza européia" muitas vezes é uma ilusao na cabeca do brasileiro. A gente tem mania de superestimar tudo o que está na Europa. Mas nao é bem assim!

Maria Cheia de Graca



Este filme é muito, muito bom!!! Conta de uma forma muito sensível e completa a história de pessoas que se tornam "mulas" transportando drogas... O resto nao vou contar! Nao percam, a história é muito boa e nos desperta para uma realidade que muitas vezes nao paramos pra pensar!

Blaupunkt


Agora sim entendi!!!

Sempre achei o nome desta marca de som muito legal. Soa bem! Em alemao, significa literalmente: Ponto Azul. Fico imaginando o que deu na cabeca do cara dar este nome pra empresa dele.
Devaneando e dirigindo pela Alemanha num dia cinzento eu e o Ike comecamos a falar todo o tipo de besteira possível e imaginável, ou seja: pirar na batata.
Ficávamos procurando pedacos azuis de céu entre as nuvens. Cada vez mais raro.
Chegamos à conclusao que o cara ficava tao feliz quando via um ponto azul no céu germânico que deu este nome à sua empresa! Como uma homenagem a este "fenômeno meteorológico" raríssimo e precioso aqui na Alemanha.

Hoje apareceram alguns Blaupunkt no céu, do tamanho de um alto-falante. Fiquei tao feliz que resolvi postar isto aqui. Mas... agora já tá tudo cinza e chovendo.
Adeus Blaupunkt!!!

O novo muro de Berlin - Peter Schneider - The New York Times

The New York Times

18:57 14/12

Peter Schneider


Na noite de 7 de fevereiro de 2005, Hatun Surucu, 23, foi morta enquanto caminhava para um ponto de ônibus em Berlim-Tempelhof, com vários tiros na cabeça e na parte superior do corpo, realizados à queima-roupa. Uma investigação revelou que, meses antes, ela havia denunciado seu irmão à polícia por ameaçá-la. Agora três de seus cinco irmãos estão sendo julgados por matá-la.

De acordo com a acusação, o mais velho deles (25) conseguiu a arma, o irmão do meio (24) levou sua irmã à cena do crime e o mais novo (18) atirou. O julgamento começou em 21 de setembro. Ayhan Surucu, o irmão mais novo, havia confessado o assassinato e alegou que tinha realizado o crime sem a ajuda de ninguém.

De acordo com Seyran Ates, um advogado de ascendência turca, geralmente o mais novo é o escolhido pelo conselho familiar para realizar assassinatos como este – ou para assumir a culpa. A lei juvenil alemã determina um máximo de 10 anos de prisão por assassinato, e o condenado tem a chance de ser solto depois de cumprir um terço da pena.

Hatun Surucu cresceu em Berlim como filha de curdos turcos. Quando terminou a oitava série, seus pais a tiraram da escola. Pouco depois daquilo, ela foi levada para a Turquia e casou-se com um primo. Depois de se separar, voltou grávida para Berlim. Com 17 anos ela deu a luz a seu filho, Can.

Ela se mudou para um abrigo de mulheres e completou o que faltava para receber o diploma escolar. Em 2004 ela havia terminado a escola técnica e se tornou eletricista. A jovem mãe que havia se livrado das restrições familiares começou a se dar valor. Começou a usar maquiagem, cabelo solto, saia para dançar e se enfeitava com anéis, colares e braceletes.

Então, alguns dias antes de receber seu diploma de trabalhadora experiente, alguém deu um fim a sua vida. Evidentemente, aos olhos de seus irmãos, o pecado capital de Hatun Surucu foi que, vivendo na Alemanha, ela havia começado a viver como uma alemã.

Há um novo muro crescendo na cidade de Berlim. Para cruzá-lo você precisa ir aos distritos centrais e do norte – para Kreuzberg, Neukoelln e Wedding – e você se verá em um mundo desconhecido para a maioria dos berlinenses.

Até recentemente, a maioria deles tinham a ilusão de que viver junto com aproximadamente 300 mil muçulmanos imigrantes e filhos de imigrantes era basicamente trabalhar com eles. Veja Neukoelln. O distrito se orgulha do fato de abrigar cidadãos de 165 nações diferentes. Cerca de 40% deles, de longe o maior grupo, são turcos e curdos; o segundo maior grupo consiste de árabes.

Como explica Stefanie Vogelsang, uma assistente social de Neukoelln, os moradores falam sobre “nossos turcos” de uma maneira bem amigável, postura essa que não se repete quando se trata de árabes, que chegaram décadas depois dos turcos e geralmente ilegais.

Mas a tolerância dentre os imigrantes começou a mudar logo depois do 11 de setembro de 2001. Paralelas às declarações de “solidariedade incondicional” com os americanos por parte da maioria alemã, conflitos de outros tipos estavam acontecendo em Neukoelln e Kreuzberg.

Bombas caseiras eram arremessadas dos jardins de prédios. Uma aqui, outra ali e, de repente, centenas delas varavam o céu em celebração ao ataque. Para muitos residentes alemães em Neukoellnn e Kreuzberg, Vogelsang aquela era a primeira vez que eles paravam para se perguntar que eram os vizinhos na realidade.

Quando um maior público alemão começou a se preocupar com o paralelo mundo muçulmano que se erguia a seu redor, foi inicialmente graças a três autoras: Ates, “The Great Journey Into the Fire”; Necla Kelek, “The Foreign Bride”; e Serap Cieli, “We´re Your Daughters, Not Your Honor”. Partindo da própria experiência delas, as mulheres descrevem as vidas amargas e a tristeza das mulheres muçulmanas naquela democracia ocidental moderna conhecida como Alemanha.

Seyran Ates estima que talvez metade das jovens turcas que vivem na Alemanha são forçadas a se casarem todo ano. Junto com esses casamentos forçados geralmente vem a violência e o estupro; a noiva não tem escolha senão cumprir os deveres do casamento arranjado pelos pais e irmãos.

Mulheres bastante veladas, vestindo logos casacos durante o verão estão se tornando uma figura cada vez mais familiar nos bairros muçulmanos da Alemanha. De acordo com a pesquisa de Necla Kelek, elas são na maioria garotas menores de idade que foram vendidas – geralmente por um bom pagamento – nos vilarejos turcos centrais de Anatólia por mães cujos filhos na Alemanha estão prontos para casar.

As garotas são então levadas para a Alemanha, e “com cada noiva importada”, Kelek diz, “a sociedade paralela cresce”. Enquanto isso, Ates sumariza, “homens turcos que desejam se casar e viver pela Shariah podem fazê-los com bem menos impedimento em Berlim do que em Istambul”.

Depois de 1945, no processo de reconstrução, era necessário maior número de trabalhadores e iniciaram campanhas de recrutamento em países pobres da Europa e na faixa mediterrânea: Itália, Espanha, Grécia, Turquia, Tunísia e Marrocos. Não é por acaso que os trabalhadores imigrantes eram chamados de “gastarbeiter”, ou seja, trabalhadores convidados. Espera-se que os convidados saiam depois de um tempo.

Naturalmente, as coisas não funcionaram como esperado. Eventualmente imigrantes muçulmanos queriam que suas famílias se juntassem a eles, para que seus filhos recebessem educação e um futuro melhor. A Alemanha não deu a eles passaportes ou direitos de voto, mas os incorporou no sistema social e deu a eles a oportunidade de avanços sociais.

Um resultado disso foi o aumento da classe média muçulmana – relativamente grande em comparação com as da França e da Inglaterra – contribuindo com cerca de 39 bilhões de euros anuais para o produto interno bruto e bilhões para os fundos de pensão. Mas como o milagre econômico alemão teve um fim, a condição mais importante, a condição mais importante desse idílio precário mudou.

Apesar do recrutamento ativo ter acabado em 1973, mais e mais turcos e curdos se mudaram para a Alemanha, de acordo com uma lei que visava a reunificação das famílias. E esses pais, mulheres, maridos e filhos passaram a exercer seu estilo de vida nas ruas alemãs.

Enquanto que nos primeiros anos de imigração, as mulheres turcas vestiam roupas ocidentais, agora elas apareciam em longas saias floridas, jaquetas de tricô e véus fortemente amarrados na cabeça. Nos fundos das bancas de vegetais e das lojas de falafel, salas de oração se disseminaram, e logo viraram mesquitas.

Necla Kelek perguntou a um grupo de “noivas importadas” que tinham vivido na Alemanha por muitos anos como elas haviam se preparado para o futuro aqui. As respostas: risadas incrédulas. Preparar? Como e para que? “Mas como vocês podem agüentar a vida aqui?” Nekla continuou. “Vocês não têm nada a ver com este país, vocês desprezam sua cultura e o modo como as pessoas vivem aqui”. Mas nós temos tudo que necessitamos aqui, foi a resposta, não precisamos dos alemães.

Algumas centenas de milhares de imigrantes muçulmanos foram capazes de recriar, na Alemanha, a vida de seus ancestrais na Anatólia. Na verdade, talvez a vida na Anatólia seja mais moderna e secular do que nos distritos muçulmanos de Berlim.

Por mais de 20 anos a Federação Islâmica de Berlim, uma organização guarda-chuva de associações islâmicas e congregações de mesquitas, se esforçou nas cortes de Berlim para assegurar educação religiosa islâmica em escolas locais. Em 2001 a federação finalmente conseguiu seu intento.

Desde então, milhares de escolas islâmicas de ensino fundamental acolheram professores contratados pela Federação Islâmica, pagos pela cidade de Berlim. Fiscais municipais não estão aptos a fiscalizar o ensino religioso islâmico. Freqüentemente o ensino não corresponde à grade curricular alemã. Além das deficiências lingüísticas dos estudantes, os professores geralmente dão aulas em turco e árabe, na maioria das vezes às portas fechadas.

Desde a introdução do ensino religioso islâmico, o número de meninas que vêm às escolas vestindo véus na cabeça cresceu absurdamente, e as diretorias das escolas estão inundadas de pedidos para a dispensa de garotas das aulas de natação ou esportes.

A assistente social Stefanie Vogelsang lembra que a maioria das mesquitas em Neukollen estão abertas ao mundo como sempre estiveram, e que elas continuam a lidar com questões de integração. No entanto, as comunidades religiosas radicais estão ganhando terreno.

Ela aponta a mesquita de Imam Reza, por exemplo, cuja home page louvava os ataque de 11 de setembro, diz que as mulheres são humanos de segunda classe e se referia a gays e lésbicas como animais. “E esse tipo de coisa”, ela diz bufando, “é defendida pela esquerda como liberdade religiosa”.

Essa é a provocação menos esperada das três autoras: uma afronta ao relativismo da maioria da sociedade. De fato, elas estão lutando em dois fronts – contra a opressão islâmica às mulheres e a seus propositores, e contra a tolerância dos multiculturalistas liberais.

“Antes de chegar aos patriarcas islâmicos, eu primeiro tenho que trilhar meu caminho por essas montanhas de culpa alemã”, reclama Seyen Ates.

As políticas de imigração alemãs (e o multiculturalismo) são apenas um lado do problema. O outro é a recusa de muitos na comunidade islâmica em se integrarem. É uma ilusão acreditar que um passaporte alemão – francês ou holandês – e direitos de cidadania plena são suficientes para transformar todos os muçulmanos em cidadão fiéis.

“Os ataques em Londres”, diz Seyran Ates, “foram encarados por muitos muçulmanos como um tapa na cara da comunidade ocidental. Os próximos criminosos serão os filhos da terceira ou quarta gerações dos imigrantes, que – sob os olhos dos políticos bem intencionados – serão criados desde o berço para odiarem a sociedade ocidental”.

É só uma questão de tempo, diz Ates, antes que Berlim passe pelos ataques como os de Londres e Paris. Quando nós conversamos, as revoltas de Paris ainda não tinham ocorrido.

Políticos e acadêmicos religiosos de todas as crenças estão certos em lembrar que há muitas variedades de Islã, que islamismo e islã não deveriam ser confundidos, e que na há nenhuma linha no Corão que justifique o homicídio.

Mas a afirmação de que o fundamentalismo radical islâmico e o Islã não têm nada a ver um com e como dizer que não há qualquer ligação entre o stalinismo e o comunismo. O fato é que apesar dos direitos das mulheres – especialmente o direito à autodeterminação sexual – é um componente integral de quase todas as sociedades islâmicas, incluindo aquelas do Ocidente.

A não ser que seja resolvido esse problema, com uma reforma correspondente do Islã praticado no Ocidente, nunca haverá uma aculturação bem sucedida. O Islã necessita algo como um Iluminismo; e somente ao bater bastante na tecla do próprio Iluminismo deles, com a separação entre religião e Estado, é que as democracias ocidentais conseguirão persuadir seus residentes muçulmanos que os direitos humanos são válidos universalmente.

Talvez isso levaria às reformas necessárias para a integração ser bem sucedida. “Nós, mulheres muçulmanas do Ocidente”, diz Seyran Ates, “vamos desencadear a reforma do Islã tradicional, porque somos suas vítimas”.


Dentro do casulo há sempre uma borboleta.

Colega do Iêmen - Parte II e final

Vou contar o desfecho da história do nosso colega iemenita:

Depois de todo o babado que contei aqui, onde a turma inteira explodiu contra ele, pensei que ele iria pelo menos ficar quieto. Mas nao, só piorou. Continuou ocupando a aula com as abobrinhas dele e sempre teimando que ele estava certo.

Nesta segunda-feira, cheguei mais cedo e conversei com a professora. Disse que eu nao tinha mais saco de ir pra aula, que eu tinha o sentimento que eu nao estava aprendendo nada e que o colega iemenita ocupava tempo da aula com coisas que fugiam totalmente do assunto. Fora o celular dele que tocava com música. E as outras pessoas nao conseguiam falar nada durante a aula e todos ficavam aborrecidos. E eu sabia que outras pessoas da nossa turma partilhavam do mesmo ponto de vista!

Ela me disse que sabia que os outros colegas também estavam descontentes, explicou que nao podia mandar nos alunos, pois todos sao adultos e estao ali de livre e espontânea vontade, blablabla. Eu disse pra ela que tudo bem, mas celular no vibracall é o mínimo de respeito que uma pessoa pode ter numa sala de aula, independente da cultura em que ela está inserida. E sobre ele ocupar a aula com abobrinha, eu achava que ela dava muita conversa para ele. Ela poderia ouvir o que ele tinha dizer, mas quando ele fugisse do tema da aula dizer: Olha, isso é outro assunto, vamos nos concentrar no conteúdo. Independente da aula ser obrigatória ou livre, o controle da turma cabia à professora. Ela disse que tudo bem, poderia falar com ele, mas nao prometeria resultados.

O cara chegou ela já puxou ele pra fora, ficaram uma meia hora conversando no corredor. Toda a mulherada dentro da sala de aula na expectativa... Ele entrou cabisbaixo, sentou bem longe de todo mundo e me dirigiu um olhar cheio de ódio.

A professora deu um trabalho em grupo colocou eu, ele, a Ana (a polonesa power que mete a boca e tb nao gosta dele) e a Bruna no mesmo grupo. Ele nao queria vir e pediu para trocar de grupo. A professora nao deixou.

Eu fiquei com pena, pois por outro lado, entendo a vontade que ele tem de falar. A gente que é estrangeiro, tá longe de casa, dos amigos, muitas vezes sem falar o idioma o suficiente, fica muito carente, tem estrangeiro que fica aqui sem ter ninguém pra conversar e quando encontra alguém disposto a ouvir, destramela e fala sem parar. A solidao é carrasca!!! E para ele deve ser pior ainda, pois ele está aqui sozinho, sem família, sem esposa, sem filhos! E pior ainda porque ele é árabe muculmano e infelizmente existe muito preconceito contra isto por aqui. As guerras e rivalidades entre os povos cristaos e muculmanos aqui na Europa, é milenar! (Nao comparem com a maravilha que vivemos no Brasil, onde o católico, o judeu e o muculmano sentam juntos pra beber cerveja e contar piada uns dos outros, o contexto aqui é outro!). Com certeza a vida dele aqui nao é fácil!!!

Quando percebi que ele estava acuado, chamei ele para vir para o grupo, disse brincando que ele podia vir que a gente nao mordia. Ele veio com cara feia, abriu o livro, colocou a mao bem cima do exercício, como que demonstrando que ele nao tava afim de ler, nem de participar. Comecei a falar tranquilamente, toquei na mao dele, ele a tirou de cima do exercício... Percebi que levar a situacao de briga adiante nao levaria a nada. A Bruna é sempre uma pessoa suave, entao ela conduziu bem a situacao. A Ana no comeco ficou um pouco reativa, mas ela também foi abrandando. E eu queria desfazer as más impressoes e fazer o melhor possível para nao ter um inimigo em sala de aula. O cara tem personalidade!

Foi a melhor aula que já houve neste curso!!! No final nós estávamos os quatro com o exercício completo, dando risada, contando histórias, falando de criancas, pois a Bruna e a Ana estao grávidas e ele tem 4 filhas no Iêmen. Todos nós falamos normalmente, ninguém dominou a situacao, ninguém interrompeu ninguém, todas as opinioes contraditórias foram discutidas e conseguimos chegar a um consenso.

Foi perfeito!!! No final da aula agradeci à professora. Ela disse que nao sabia se continuaria assim, mas ela tinha tentado. Eu disse que tinha grandes esperancas. Que pelo menos conseguimos desfazer as inimizades e foi bom ela nos ter colocado no mesmo grupo.

Ontem tivemos aula de novo e novamente foi tudo perfeito. A aula foi super produtiva, todo mundo conseguiu falar um pouco, a professora foi corrigindo nossos erros gramaticais mais graves, todos deram risada juntos, fizemos trabalho em grupo, ele sentou do meu lado, conversamos mais um monte, só eu e ele, estamos nos tratando com muito respeito e camaradagem... E vamos até fazer uma festa na última aula de dezembro, que cairá justamente no dia do aniversário dele.

Estou muito feliz em ter desfeito uma inimizade e ainda por cima ganho um novo amigo! Além de ter um curso de alemao bem mais proveitoso e interessante! Ufa! Uma pequena grande vitória!!!

14.12.05

Golf V TDI


Conforme prometido, uma foto do carro por fora. Nao é exatamente o nosso, mas é igualzinho. Achei legal postar porque o Golf no Brasil é diferente. ;-)

O Crime do Padre Amaro



Amei este filme, muito bom, baseado na obra de Eca de Queiroz.

Fritteuse


Como vivi minha vida toda sem esse treco?

Tem algumas coisas que acontecem por aqui que eu acredito que eles nao consigam nos entender e vice-versa. Uma situacao engracada (para nós, mas nao para os alemaes) foi a história da Fritteuse. Sinceramente, eu nunca tinha visto uma máquina de fritar doméstica na vida. Só havia visto estas grandes, que existem no Mc Donalds e outras lanchonetes. Sei que muitos de vocês sao chiques e já conheciam a dita cuja da máquina, mas para mim até eu vir para a Alemanha, era novidade.

Vi a maquininha pela primeira vez na loja de produtos eletro-eletrônicos quando fomos comecar a comprar nossas utilidades domésticas. Achei interessante, pois dá pra fritar as coisas sem sujar fogao, sem espirradeira de gordura, sem sujar a cozinha, sem Suggar, sem cheiro de gordura. E custa muito barato! Mas nao compramos porque nao cozinhamos tanto em casa e evitamos frituras.

Outro dia eu estava almocando com meus colegas de trabalho quando perguntei:
- Como se preparava Bratwurst? (uma salsicha temperada com curry, assunto pra novo post!)
Me responderam em coro, com a maior naturalidade:
- Na Fritteuse!!!
- Ok, mas nao uso fritteuse, entao qual é o certo, apenas grelhar na frigideira ou tem que submergir em óleo quente.
Aí veio a cara de espanto deles:
- Como assim, você nao usa Fritteuse?
Expliquei que eu cresci sem usar essa coisa e por isso eu nao tinha, pois nao me fazia falta e eu cozinhava pouco em casa. Um colega, ainda nao contente com minha explicacao me perguntou:
- Mas entao como vocês fazem batata frita no Brasil?
Ao que uma colega, impaciente, replicou:
- Ai seu tolo, eles compram aquelas prontas congeladas, de esquentar no forno! Duuuhhhhhh!!!!

Lá fui eu, tupiniquim, fazer inscricoes rupestres na mesa pra explicar pra eles que nós usamos uma frigideira funda, cheia de óleo, colocamos as batatas cruas, in natura dentro da frigideira e deixamos lá por um tempo, depois puxamos com uma espécie de talher chamada espumadeira!

Ohhhhhh!!! Expressao de espanto geral... Eles nao sabiam que dava pra fazer batata frita assim. Observacao: Todas as pessoas na mesa contam com mais de 40 anos de idade.


Essa endiabrada aqui faz batata frita e fondue!

13.12.05

Dior Addict


Ganhei do Ike Noel!

Pena que Internet nao transmite cheiro. Se eu pudesse colocar um cheirinho neste blog, com certeza seria este o perfume. Este perfume é demais, demais!!! Amei, obrigada, Ike!

Cachorros na Alemanha

No Brasil se fala muito na proibicao do pit bull e de outras racas, mas vou contar uma coisa para vocês que me surpreendeu: outro dia eu estava numa loja de departamentos, olhando um produto numa prateleira bem embaixo, quando me levantei, dei de cara com um pit bull, sem coleira, sem focinheira, sem nada!!! Comecei a suar frio, mas percebi que o bichinho era mais manso e bobo que um filhote de labrador.

Reparei muito nisso aqui: aqui os caes sao adestrados. Já vi os próprios donos adestrando caes filhotes nas ruas. Eles adestram para que o cachorro faca truques e obedeca. É impressionante observar, às vezes do lado de fora dos supermercados esperando seus donos. Os caes mais velhos ficam sem coleira sem nada.

As pessoas podem levar os cachorros a vários lugares, inclusive há restaurantes e barzinhos que é permitido deixar o cachorro embaixo da mesa, aos seus pés. Esse negócio de que "na Europa o cachorro senta à mesa com o dono" até hoje eu nunca vi!

Agora sim concordo com o que muitas pessoas, donas de cachorros considerados "perigosos" sempre afirmam: o gênio do cachorro depende muito da criacao. Lógico que se você alimentar seu cachorro com presas vivas, maltratá-lo, ensiná-lo a ser cruel, ele vai assimilar isto como sendo bom para o dono. Depois o cachorro mata uma pessoa e a pessoa fica surpresa!

E muitas vezes ignoramos o instinto animal. Muitas pessoas dizem que o gato é traicoeiro, mas isto nao é verdade. Você nao pode manusear um gato como se ele fosse de pano, ou tocá-lo como se ele fosse um cachorro. O gato conserva ainda, grande parte do seu instindo selvagem, a aproximacao deve ser diferente. Mas muitas pessoas acham que o animal deve se adaptar ao ser humano, sendo que isto é impossível. Existe todo um jeitinho de pegar em um gato, sem que você leve uma dentada. E mesmo se você levar uma dentada, nao é porque o gato é mau, mas sim porque ele percebeu alguma ameaca na sua aproximacao. Só isso.

Outra coisa também perigosa é se um cachorro ou um gato atacar um bicho menor, você nao vai ser burro de ir lá e arrancar a presa da boca do bicho, com certeza você também será mordido. E nao adianta matar o bicho depois porque ele mordeu o dono. Às vezes o dono nao respeitou o instinto animal. É um bichinho, poxa!!!

Mas o que eu acho ridículo é botar roupa em cachorro. Juro para vocês que os cachorros, exceto o Pinscher que nao pára de tremer, nao sentem frio como nós humanos. Eles já nasceram enfiados em um luxuriante casaco de pele, nao precisa mais que isto!!! A prova disto é que canso de ver aqui na Alemanha cachorros brincando "pelados" na neve, sem roupinha nenhuma, brincam, correm, passeiam felizes ao lado de seus donos. Em temperaturas de até - 5°C já vi isto. Nao faz -5°C nas cidades... Entao, nao precisa por roupinha em bicho, ao invés disso, uma sugestao: mande este dinheiro para alguma instituicao que ajuda animais abandonados como a Sociedade Protetora dos Animais. Ou entao, já que tantas pessoas adoram condenar quem ajuda aos animais, compre uma roupinha de crianca para mandar para um orfanato.
Fora isto, algumas roupas podem incomodar o bichinho, afinal, é contra a natureza dele, puxa vida!

Discordo de quem condena a protecao aos animais, acho que tem que tem que haver ajuda para tudo o que faz parte do nosso habitat. Assim como existem pessoas que dedicam suas vidas para cuidar de criancas, também existem aquelas que se dedicam a cuidar de bichinhos. Nao acho que devemos criticar isto, pois nao estao fazendo mal algum e percebemos o grau de evolucao de uma sociedade quando comecamos a ver a preocupacao ecológica que existe nesta.


Roupa ridícula deveria ser enquadrada nos maus tratos aos animais!

Trailler do "Amor"


Trailler em alemao se chama Wohnmobil

Pasmem, assim como fiquei pasma ao observar, mas aqui na Alemanha o trailler é também usado para prostituicao. É comum ver nas rodovias vicinais estes traillers estacionados em cantinhos, entradinhas perto do mato ou mesmo em estacionamentos públicos nas Autobahns. Lá dentro fica uma prostituta esperando seus clientes. Outro dia assisti a uma reportagem sobre prostituicao na Alemanha e fiquei sabendo que elas geralmente alugam o trailler de um cafetao e geralmente sao mulheres mais velhas, que já trabalharam em clubes e casas noturnas, mas agora atendem de forma mais privativa. Elas mesmas sao responsáveis pela higiene e decoracao do trailler. Mostrou um por dentro, pena que nao consegui nenhuma foto. Ela decorou o pára-brisa com luzinhas coloridas, até como que para mostrar que aquilo nao é um trailler familiar. Alguns também têm adesivos de coracao colado do lado de fora. Já vi algumas que deixam velas em recipientes de vidros coloridos em cima do console. Enfim, elas capricham! Tudo bem bonitinho com colcha, uns ursinhos de pelúcia, tem lugar para o cliente deixar seus pertences pessoais bem como as roupas durante a prestacao de servicos.

No nosso caminho do trabalho para casa vemos sempre duas. Mesmo sexta-feira que saímos mais cedo, elas já estao lá, a postos. Passando em frente, já vimos várias vezes carros pararem ali, lógico que a gente tira sarro, fica brincando, eu a Lan e o Ike, principalmente se é um carrao chique. Nós já estamos tao familiarizados com a presenca delas na estrada que já as chamamos de "nossas colegas". Hehehehehehehe! Só falta a gente dar tchauzinho.

Mas às vezes fico com um pouco de pena, pois deve ser perigoso. Imagine vir um assaltante, um maníaco, sei lá. Mas depois pensei nas pessoas que fazem o mesmo tipo de servico no Brasil, acho que elas correm muito mais riscos, até porque o trailler oferece uma protecao contra as intempéries do tempo e elas nao ficam tao expostas podendo ser alvos de ovadas ou de extintor, como alguns moleques idiotas acham graca fazer.

Ah! Antes que eu esqueca: a prostituicao foi em 2001 legalizada como profissao na Alemanha.

Acho prostituicao um tema muito interessante. Sempre quis entender o que leva uma pessoa a exercer a profissao dita como "a mais antiga do mundo". Acredito que a prostituicao nunca deixará de existir. O problema é que ela vem acompanhada de alguns assuntos muito delicados: dependência química, tráfico de drogas e de seres humanos, escravidao sexual, pornografia, pedofilia, infâncias destrocadas, doencas sexualmente transmissíveis, violência contra a mulher... É um assunto extremamente complexo. E acho terrível uma pessoa que se diz de bem que freqüenta estes lugares e ajuda a realimentar este ciclo vicioso que deteriora nossa sociedade.

Por outro lado nao aceito o preconceito que existe contra as prostitutas, elas sao seres humanos como nós. Mas geralmente com uma vida bem pior. Entao, acredito que se eu nao posso fazer nada para ajudá-las, também nao farei nada que as deprecie.

E só pra finalizar, ouvi nesta reportagem um comentário interessante da camareira de um bordel, ela dizia com toda a sua humildade, que se nao fosse a prostituicao, o número de estupros seria maior. Realmente nao há como comprovar empiricamente a veracidade do comentário dela. Mas certamente me fez olhar a situacao por um novo ângulo.

O primeiro quadro que comprei



Outro dia eu estava pendurando quadros em casa quando lembrei do primeiro quadro que comprei na vida. Tive que rir sozinha.

Eu tinha pouco mais de 20 anos, tinha acabado de sair de casa para dividir o apartamento com amigas. Comecei a comprar alguns móveis e eletrodomésticos quando dei pela falta de algo bonito nas paredes.

Eu nao tinha nocao alguma de arte, apesar dos esforcos do meu pai para que eu visse as gravuras da colecao que ele comprara "Os gênios da pintura". Nao adiantou muita coisa! Eu até achava legal, mas nao tinha o gosto de ficar debrucada em cima deles, como eu fazia com as enciclopédias. Só ficava fascinada por Dali, desde crianca eu ficava pasma, quieta, olhando os detalhes oníricos de seus quadros! Nunca cansei de admirar Dali. E visitar museu de arte, também nao era comigo. Eu gostava mesmo era de arqueologia, mas até entao, em Curitiba, a única arqueologia disponível era de artefatos indígenas. E isto também nao me interessava. Preferia ficar no meu mundo dos livros sobre arqueologia egípcia, dos poetas e dos romancistas.

Entao lá fui eu, serelepe e lampeira, com 20 e poucos anos comprar um quadro. Eu havia cismado com motivos náuticos. Tinha que ter mar, sol e um barquinho. Bem condizente com minha nocao de arte. Só nao comprei de casinha com arvorezinha e montanha porque nao achei! Era uma manha de sábado, aproveitei para fazer compras no centro. Encontrei exatamente o quadro que eu queria. Como era pequeno, seria prático para carregar no ônibus, pois dali eu iria trabalhar.

Cheguei no trabalho toda faceira, com minhas compras e a minha aquisicao artística. Mostrei a pintura orgulhosamente para o meu chefe, me achando muito esperta, como sempre. Lembro-me como se fosse hoje a cara que ele fez. Ele era uma pessoa sincera e gentil. Pude ler o embaraco nos olhos dele olhando para o quadro e sem saber o que me dizer. Ele nao queria mentir, dizendo que o quadro era bonito, mas também nao queria estragar minha alegria, dizendo que nao havia gostado do quadro. Por isso calou. Mas um olhar ou um silêncio fala mais do que mil palavras, nao?

Depois disso, em casa, olhei o quadro bem de perto, percebi que a moldura tinha um acabamento ruim. E que o quadro foi pintado em série, coisa de 20 minutos de trabalho. Perdi o tesao pelo quadro e o pendurei no corredor, onde nao havia lâmpada.
Na primeira mudanca, dei um sumico nele. Até hoje nao sei onde foi parar!

Nunca mais comprei quadros. Fiquei traumatizada com minha cafonice. Só comprei réplicas e alguns temas místicos tais como signos zodiacais e anjos.

No momento me enfio em todos os museus possíveis e imagináveis para tentar absorver um pouco de arte e diluir minha própria breguice e desconhecimento do assunto. Fiquei apaixonada pelo Musée d´Orsay em Paris. Nunca imaginei que eu fosse ficar tao entretida e encantada em um museu repleto de quadros. Me apaixonei perdidamente pelas pinturas de Van Gogh e o quadro que coloquei neste post é um dos mais lindos que já vi em minha vida! Depois de vê-lo compreendi porque alguns privilegiados pagam milhoes para ter um quadro destes em seu acervo pessoal. Eu me contento com uma réplica pendurada no corredor, desta vez com lâmpada.

Felicidade!!!



'A felicidade tem sorriso largo e maroto.
Olhos brilhantes e tão inquietos que só falta falar...
Palavras medidas e poucas, como se nem precisassem ser ditas,
o corpo simplesmente se expressa...!
Sem mistérios, clara como deve ser, verdadeira como é.
Inimiga das horas, presente por prazer...não precisa ser chamada...
Tem rosto de anjo, atitudes celestiais e calor infernal...
Sim, ela existe...mas não a procuro.
Aguardo-a com a mesma calma que ela me trará.
Enquanto isso as dores vão curando, o coração vai cicatrizando,
o corpo fortalecendo...
A alma vai voltando a ser menina...
E a cabeça, senhora.'

Autoria desconhecida

12.12.05

Chá de bebê brasileiro em terras longínquas


Na foto: Quatro-olhos, Osmarina (de boca aberta), Bruna (atrás da Osmarina), Beatriz, Katiane, Alessandra, Vanessa e Luciana.

Gente, olhem só que gostoso!!! Terca-feira passada foi o chá de panela do Patrick, o bebê da Bruna. Isto foi invencao da faccao-Wolfsburg das mulheres brasileiras!!! Foi muito legal, nunca imaginei que me divertiria tanto num chá de bebê. Aliás, fazia um bom tempo que eu nao me divertia tanto por aqui!
Além disso, os quitutes estavam maravilhosos! A Bruna encomendou coxinha, risoles, fez brigadeiro, carolinas doces e salgadas, tortas salgadas... Uma delícia! Eu nao conseguia parar de comer as carolinas que a Bruna tinha feito! Ela nao nega a tradicao da família (têm uma panificadora!).

E fora isso a Katiane estava terrivelmente impossível, fez brincadeiras e aplicou castigos em todo mundo. E quase me fez dancar na boquinha da garrafa! Por sorte eu tirei a garrafa antes. Mas todo mundo pagou mico, pelo menos isto me consola.
E olhe, tinha um monte de gente! Na foto estao só algumas, as que ficaram mais até o final. Conversamos um monte... nossa, como dei risada!

Como vocês podem perceber, a recepcao do Patrick será no inverno, porém muito calorosa! Ele chegará finalzinho de janeiro!

Vanessa, aguarde!!! O seu chá de bebê será o próximo!!!

E o da minha sobrinha, Alice, foi agora no sábado dia 10! Foi uma pena eu nao poder ter ido (no Brasil)!!! Mas ela sabe que eu penso muito nela, apesar da distância! A Alice chega finalzinho de fevereiro!

Amor



Recebi esta foto hoje, por e-mail, vindo da Marga, minha madrasta. Achei tao linda que resolvi postar. Fiquei pensando se a estátua está numa postura simplesmente voyeur, se ela está comovida relembrando nostalgicamente o dia em que ela foi gente e amou, se ela está ardendo de inveja imaginando que o futuro cobrirá os amantes de desgraca e separacao, se ela está desejando ser humano para viver um grande amor, se é um deus se regozijando por ter criado o ser humano e seus sentimentos...
Ou se é simplesmente uma estátua num parque. Uma foto artística. Um belo flagra pitoresco.

Isto me faz lembrar um trecho de Pablo Neruda em uma das minhas poesias prediletas:
"Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques, as brancas estátuas que não têm voz nem olhar."

Me perdoem, sou maluquete!

DasPu

Desde sua nova inauguracao a boutique Daslu me deu nojo. Achei um pedantismo bocal e fora de propósito fazer um templo do consumo em plena favela, na boca do lixo. Sem nenhuma preocupacao social. E nao demorou muito para a máscara cair: A proprietária logo se viu envolvida em escândalos de sonegacao fiscal, falsidade ideológica e tudo mais. A dondoca foi parar no xilindró.

O que me também me revolta é que neste tipo de loja aqui na Europa, mesmo a Galeria Lafayette em Paris, qualquer um pode entrar, até de chinelo de dedo, que ninguém vai te barrar, ninguém te pede pra você se apresentar, nenhuma vendedora metida a besta fica te medindo ou vem te paparicar pensando que você é rico porque tá com uma bolsa de griffe. E além disso a Galeria Lafayette tem tradicao, numa das mecas mundiais do consumo, que é Paris. Já a Daslu em Sao Paulo, nao é qualquer um que entra. Tem toda aquela frescura de pagar caríssimo pelo estacionamento, etc.

Confesso que fiquei muito feliz quando li a notícia sobre a nova griffe, a Daspu, feita para as profissionais do sexo. Prostituta também é gente e espero que elas consigam ficar com o nome, que é pra lá de original.


Modelo da Daspu

Holiday on Ice


Grupo Holiday on Ice

Sexta-feira à noite fomos assistir algo muito legal: um show de patinacao artística do grupo Holiday on Ice. Me apaixonei! Os figurinos impecáveis, o corpo de baile lindo de morrer pessoas com corpos esculturais denunciando o quanto eles treinam.
Eles dancam, sapateiam, sobem escadas, saltam... tudo com patins (de gelo). Eu nao consigo nem ficar em pé com aquilo!
Dancaram até salsa e danca indiana! O espetáculo é onírico, viaja por diferentes épocas e lendas, sem necessariamente haver uma conexao entre uma peca e outra. Haviam também partes que eram espetáculos circenses. Isso mostra o quanto um circo pode ser legal e divertido sem usar animais!!!
Fizeram mágicas, subiram em faixas e cabos pendurados no teto, voaram, fizeram muitos malabarismos dificílimos e caíam no chao patinando, como se nada tivesse acontecido.
As partes que eu mais gostei foi quando representaram as 4 Estacoes de Vivaldi e uma representacao que entendi como sendo o Inferno. A parte que nao gostei foi uma representacao da música Toxic da Britney Spears remixada com batida indiana. A música ficou legal, mas a danca ficou nada a ver com o tema. Nao ficou nem indiano, nem Britney. Ah! E também gostei muito de uma música clássica que dancaram, mas era uma música forte, de impacto, dancaram com figurinos roxos com muito strass... Foi lindo!!!
Espero ano que vem podermos ir novamente! E espero me arriscar a subir no patins para gelo este ano! Ano passado só o Ike teve coragem.

11.12.05

Vexame



Quem nunca deu nenhum vexame em público que dê o primeiro pum no elevador!
Uma linda noite, na balada, em que eu pretensamente deveria consolar uma amiga (quem ler aqui e souber da situ vai lembrar e rir da minha cara de novo) que estava desolée, acabei tomando um porre maior que o dela. Misturei whisky, pina colada, vinho branco, cerveja e tudo o mais.
Chegou uma hora que o mundo comecou a girar ao meu redor, em plena balada... Me abaixei num cantinho, tentando nao aparecer. O banheiro feminino ficava do outro lado da pista de danca, ou seja, impossível de atravessar no meu estado de embriaguez. Percebi que eu estava abaixada ao lado de uma lixeira, daquelas altas, de madeira, onde a tampa é uma portinha basculante de empurrar para dentro.
Quando dei por mim eu estava com a cara enfiada lá dentro, vomitando. Praticamente na posicao em que Napoleao perdeu a guerra ali no meio da disco.

Um mico sem precedentes!!! Isto aconteceu há tanto tempo (99), mas foi tao ridículo que até hoje quando minhas amigas Paula, Débora, Adriana quando vêem uma lixeira grande brincam: "Segura a Janaína, olha o lixo!"

Por isso outro dia tirei a foto da lixeirinha acima, deve até dar gosto fazer o servico ali dentro. Chega a ser lúdico. Ah! Só uma vomitadinha, ninguém vai ver!

Mas tô contando isso porque hoje fomos jantar na casa de amigos, o Cássio e a Marisa. Haviam mais convidados, todos brasileiros e um alemao de alma brasileira, conforme ele mesmo se declarou no início do jantar.
Só que eu comecei a passar mal, tentei disfarcar, mas a anfitria percebeu, me ofereceu remédio. Tomei uma aspirina para aliviar minha dor de cabeca, mas continuei mal. No fim acabei "devolvendo tudo pra Natureza" via oral, sorte que desta vez tive a finesse de me retirar a tempo para o toilette, sem vexame, sem nada. O Ike fez um chá de orégano pra mim, eu estava horrível de pálida. A Marisa, toda atenciosa, me ofereceu o quarto do filhinho dela para eu dormir. Durante toda a confraternizacao eu fiquei lá dormindo... Puxa, que pena, tanta gente legal para conversar e eu lá, passando mal com dor de cabeca. Mas depois dessa dormida acordei novinha em folha, mas já tava na hora de voltar pra casa! Perdi a festa, mas pelo menos melhorei!!!

Só deixa eu dar a receitinha caseira (dos meus sogros) que é tiro e queda: Quando passar mal do estômago, facam chá de orégano! Funciona que é uma beleza!

9.12.05

Pneus de inverno - Winterreifen

Leis de trânsito sao um saquinho mesmo... imagine na Alemanha que o trânsito tem que andar igual um reloginho. Pois é. Agora tem uma nova lei, que a partir de janeiro TODOS os carros deverao estar equipados com pneus de inverno.

Mas que diacho é esse pneu de inverno? É um pneu com sulcos mais profundos e com uma composicao de borracha diferente, apropriado para andar na neve e em temperaturas negativas. A lei diz que a partir de 7°C o pneu de inverno deve ser usado.

Outro dia assisiti na TV a um teste que colocava a tal lei à prova. A partir de 0°C nao havia sombra de dúvida que o pneu de inverno era mais seguro. Mas em temperaturas positivas o pneu normal é mais eficiente nas frenagens.

De qualquer jeito compramos os pneus, sao bem carinhos, mas fazer o quê? É melhor dirigir com seguranca! Ano passado deixamos de fazer algumas viagens e passeios por receio de dirigir sem os pneus.

Também existe uma história que se você, no inverno, bater o carro e estiver sem pneu de inverno, o seguro nao cobre o dano. Mas isto é lenda, é um argumento que eles utilizam, mas no papel isto nao existe.

E no mais, inverno é época de comer coisas gostosas, a gente fica mais pesado dentro do carro!!! Hahahaahah!!!!





Pode deixar, estou cuidando bem dos meus pneus de inverno!!! Eles estao beeeem calibrados!!!

8.12.05

Garotas turcas na Alemanha


Nome: Hatun Sürücü
Apelido: Haynur (luz da lua)
Origem: curda (Turquia)
Local de nascimento: Alemanha
Idade: 23 anos
Filhos: 1 menino
Estado Civil: Divorciada (Fora casada à forca aos 15 anos com um primo na Turquia)
Profissao: Técnica em instalacoes elétricas
Destino: Assassinada com 3 tiros na cabeca na porta de casa na cidade de Berlin
Assassino: Ayhan Sürücü, seu irmao mais novo


Caros, a foto e a história acima sao verídicas. Você já deve até imaginar o motivo do crime, entao vou te contar: Ela foi morta pelo que é chamado "crime de honra" (Ehrenmord), pois ela foi casada à forca com um primo na Turquia, durante a gravidez se separou e voltou para a Alemanha. Como se nao bastasse isto, ela se recusou a usar véu, foi morar sozinha, concluiu os estudos com excelentes notas e namorava um alemao. Um turco namorar uma alema até que pode, mas uma turca namorar um alemao... daí já significa trazer desonra para a família. Além disso Hatun nao iria educar seu filho na rígida doutrina da família, ela daria a ele uma educacao ocidental e livre, ele aprenderia a respeitar as mulheres como um ser igual a ele!

Os três irmaos de Hatun planejaram seu assassinato, o mais velho comprou a arma, o outro a municao e o mais novo foi até a casa dela para puxar uma briga qualquer. Ela saiu do apartamento com o irmao briguento com o objetivo de ter certeza que ele pegaria um ônibus e iria embora. No meio da discussao ela gritou "Ich ficke wenn ich will!" (Eu transo quando eu quiser). Nisto o irmao puxou a arma e disparou três tiros. Na cabeca.
A testemunha-chave do processo é a namorada do autor dos tiros. Hoje ela vive em um abrigo destinado à protecao de testemunhas.

Nenhum dos amigos de Haynur sabia que ela sofria este tipo de repressao por parte da família. Exceto uma amiga turca, que sempre a aconselhava a ser prudente, ao que ela respondia "Ich werde sowieso sterben!" (Eu vou morrer mesmo!).

Estes crimes geralmente sao planejados em família e geralmente o autor dos disparos é o irmao mais jovem pois parece que pega menos tempo de cadeia, ou sai mais jovem da cadeia, algo assim, nao entendi muito bem.

A história de Haynur, infelizmente, nao é excecao! Muitas mulheres turcas sao assassinadas todos os anos na Alemanha (nao sei se vocês sabem, mas existe uma colônia turca muito grande dentro da Alemanha, eles vieram para cá para suprir o país de mao-de-obra no final da Segunda Guerra Mundial). Apesar de viverem aqui, carregam orgulhosamente seus costumes e tradicoes, todo um lado bonito de nao negar as origens e nao esquecê-las. Mas alguns trazem também o lado sombrio, onde matar uma mulher é lavar a honra da família com sangue.

"Nós somos suas filhas, nao sua honra"
"Casamento forcado é estupro ao longo da vida"
"Honra é lutar pela liberdade de minhas irmas"

Dizem os slogans de campanhas feita por turcos que pensam diferente. No Alcorao nao existe passagem que incite a violência contra a mulher. Sao pessoas que interpretam o livro sagrado de uma forma distorcida. Eu nunca li o Alcorao, estou apenas reproduzindo o que ouvi de muculmanos pessoalmente e na TV.
Os autores da última frase foram dois adolescentes que distribuíram a frase em cartoes postais tendo ao fundo a foto deles e das irmas sem véu. Eles sofreram repressao por parte de outros grupos de jovens turcos.

Existe aqui na Alemanha um trabalho muito forte nas escolas para tentar cortar este mal pela raiz, pois mesmo crescendo numa sociedade onde a mulher é igual e faz o que bem entender, eles mantém as tradicoes antigas.

Minha "ídola" é a Serap Cileli, ela também foi casada à forca, teve filhos, se separou e ainda encontrou o amor da sua vida. Ela tem todo um trabalho de ajuda para as garotas que fogem de suas famílias para nao serem mortas. Isto aqui na Alemanha gente, nao é lá na Turquia nao!!! Existem casos de garotas que têm que trocar de nome e tudo mais, senao os homens da família vem atrás e a matam mesmo!

Outra mulher que também faz este trabalho é Güner Balci. Sao pessoas admiráveis!!!

Enfim, este é um grande problema que existe aqui na Alemanha que tem trazido muita preocupacao para o governo.

Mas minha mensagem é: devemos agradecer à Deus pela liberdade que temos de fazer nossas escolhas sem sofrermos impedimentos!!!


Hatun, você foi muito corajosa e agora brilha no céu, na luz da lua. Que sua morte nao tenha sido em vao! Descanse em paz, guerreira!


Cena do filme Submission de Theo Van Gogh, o qual lhe custou a vida tirada por um fanático islâmico.

Pensamentos Rebeldes - por Ana Kessler e Rose Santiago

São 7h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.
Estou TÃO acabada, não queria ter que trabalhar hoje. Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até.
Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.
Aquário? Olhando os peixinhos nadarem.
Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro.
Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar.
Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela.
Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.
Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã, tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço".

Que espaço, minha filha? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer? Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz. Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda. Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard e, se duvidar, nem vôlei.
Por quê, me digam por quê um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo.

Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com o meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas. Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações. Viramos supermulheres, continuamos a ganhar menos do que eles. Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?
Chega ! Quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela - ai, meu Deus, 7h30, tenho que levantar!, - e tem mais, que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés pra cima e diga: "meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?", descobri que nasci pra servir. Cês pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna... Troco pelo de Amélia. Alguém se habilita?

Assinado: Nova Mulher


Quer trocar de lugar conosco, Nova Mulher? Estamos interessadas!

7.12.05

O terrível Chichihuhu

Irmao mais velho é uma praga mesmo! O que a gente nao inventa para atormentar os irmaos mais novos! A Rafa, como uma boa cacula, nao escapou da sina.

Quando nós éramos pequenas, adorávamos comer o tal Mini-Chicletes que hoje acho que nem existe mais. E olhe só que perigoso: ensinei-a a comer o chiclete com canudinho de suco. Nós espalhávamos o mini-chicletes em cima de qualquer superfície e munidas de canudinhos tínhamos que aspirar de uma vez só a maior quantidade de chiclete possível. Imáginávamos que estávamos encarnando um tamanduá e que os chicletes eram as pobres formiguinhas. Da onomatopéia da brincadeira de aspirar o canudinho, nasceu a palavra Chichihuhu. Até aí tudo bem, se a Rafa, pequenininha ainda, nao tivesse demonstrado medo do terrível monstro.

Comecei a assustar a guria dizendo que se ela nao me obedecesse o Chichihuhu viria pegá-la, e a chantageava como terrível monstro! E nao adiantava minha mae dizer que nao existia, o Chichihuhu fazia parte do nosso dia a dia, das minhas ameacas de capetices de irma-mala.

Depois ela cresceu, me deu uns chegas-prá-lá e as ameacas do terrível Chichihuhu nao funcionaram mais! Virou uma brincadeira entre nós!

Anos mais tarde assistindo o filme The Village quando vi aquele monstro, pensei na hora: "O Chichihuhu"!

Viu Rafa, o Chichihuhu existe!!!

(Sim, eu pirei, nao entendeu o nome do blog ainda?)


Chichihuhu se preparando para atacar garotinhas desobedientes


Sai daí que o Chichihuhu vai vir te pegar!

Sehnsucht, o mito da saudade

Desde crianca sempre ouvi dizer que "A palavra saudade só existe em português". Esta frase sempre me intrigou. Como pode uma palavra tao expressiva só existir em um idioma? E justamente no meu?

Passados anos, já tinha esquecido da história quando vim parar aqui na Alemanha. Além de sentir saudades, descobri que tinha como falar isto em alemao e que existem duas palavras para isto!

Sao elas Heimweh (Heim: casa, lar, abrigo + Weh: dor), que significa a saudade de casa ou da pátria, o tal banzo, homesick... e Sehnsucht (sehnen: aspirar, desejar, ter saudade + Sucht: mania, vício) que é a tal da saudade propriamente dita.
E nao venham me dizer que Sehnsucht é nostalgia porque existe a palavra Nostalgie em alemao para designá-la.

Entao se um dia ouviram este mito, é pura poesia! Ou até que alguém me esclareca, prometo colocar aqui!

Depois fiquei até pensando se a palavra inglesa yearning também nao poderia ser traduzida como saudade... Cê sabe me dizer? Entao posta aí, please!

Um link bem interessante sobre a existência da palavra saudade em outras línguas:
http://www.napoleao.com/dicpor1.htm


Quadro da pintora Renaze Pinto do Amaral "Saudade"

Devolucoes e trocas na Alemanha

Tudo bem, podem reclamar que o atendimento aqui na Alemanha nao é a melhor coisa do mundo... Mas já cansei de ser mal-atendida no Brasil também.
Acho que às vezes as pessoas têm mania, pelo fato de estarem longe de casa, com saudades, com problemas de adaptacao, ou sofrendo pra aprender a língua, de colocar culpa em algumas coisas que nao têm nada a ver.

Se tem uma coisa fascinante no atendimento na Alemanha é a facilidade com que a gente consegue devolver uma mercadoria.

Caso 1 - Esses dias, achei uma calca linda em liquidacao, na cor vinho. Cheguei em casa, experimentei, que decepcao! A calca tinha ficado horrível! Mas na loja parecia ser tao bonita! Uma semana depois, voltei à loja para perguntar se tinha como trocar, pois era artigo de liquidacao. A vendedora perguntou se eu queria outra calca ou o dinheiro de volta! Peguei o dinheiro de volta e olha que eu havia pago a calca no cartao de crédito!

Caso 2 - A loja Ikea (móveis e objetos de decoracao), você pode comprar qualquer coisa lá, e olhe que tem muita coisa nesta loja, é o paraíso do consumo, e se você nao gostar do que comprou, dentro de 3 meses, isto mesmo, três meses pode devolver a mercadoria usada sem problema nenhum.

Caso 3 - Eu e o Ike saímos juntos para comprar os nossos presentes de Natal. Só que a loja (H&M de Braunschweig) estava super cheia. Escolhi algumas blusas de inverno meio que a olho. Chegando em casa vi que eu tinha comprado todas um número maior. Ontem fui à H&M de Wolfsburg com as blusas para trocar. Escolhi os números certos e fui para o caixa. Notei que uma das blusas tinha entrado em promocao pela metade do preco e que uma das blusas que eu queria devolver estava sem etiqueta!
A guria do caixa nem ligou que a blusa estava sem etiqueta, consegui devolver mesmo assim! E quanto ao desconto, adivinha! Ela me devolveu o dinheiro!

Enfim... podem até reclamar do atendimento, mas para fazer trocas e devolucoes eles estao anos-luz à nossa frente!!!


Vai trocar essa blusa, menina!

Kombi

Outro dia, faz tempinho já, assisti à algumas palestras na VW. Uma das palestras era sobre a Volkswagen no Brasil e o palestrante comentou que ainda se fabricava a Kombi por lá. Isso provocou riso nos mais jovens, mas o pessoal um pouco mais velho ficou super interessado. Até um Doktor quis saber como ele faria para importar uma Kombi do Brasil para ele, pois ele era fissurado no carro.
Aqui a Kombi se chama Bully e é um carro super-nostálgico, quase uma relíquia.
Outra vez houve uma exposicao de Kombis britânicas no estacionamento interno da empresa. Era tudo um pessoal mais alternativo, que curtia viajar e contato com a natureza, sem muita frescura. As Kombis eram todas adaptadas como se fossem Traillers ou Motorhomes. Muito bem cuidadas, dava para ver que a pessoa tinha orgulho e conservava o carro com esmero.
A Kombi aqui é um lance bicho-grilo, coisa para a galera que foi ao Woodstock, que foi hippie, que viajou pela Europa com uma turma de amigos curtindo a vida sem frescuras e com liberdade. É um ícone dos anos 60-70, por isto as pessoas que viveram aquela época nao vêem na Kombi um carro velho, mas com lágrimas de saudade nos olhos.


Naquela época sim que era bom, hoje em dia tá a maior loucura!

6.12.05

Ucrânia

Conheci outro dia no curso de alemao uma guria da Ucrânia. Achei interessante porque ela é bem extrovertida, já chegou, perguntou o nome, comecou a conversar, fazer perguntas, contar coisas. É que geralmente o pessoal do leste europeu, é mais quietinho, mais na deles, demoram mais para se abrir. Ela parece ser bem legal. É formada como intérprete e veio para a Alemanha para aprender mais uma língua. Mas como é caro, ela se inscreveu no Programa Au-Pair.

Tem uma outra guria no curso de alemao, que é da República Tcheca e também é Au-Pair. Essa outra menina é um doce, um amor, mas é mais quietinha e um pouco conservadora. Gosta muito de conversar, mas só quando nao tem muita gente em volta. Gosto muito dela.

Elas sempre contam das dificuldades da vida de Au-Pair, pois no caso da tcheca, ela vem de uma outra classe social e aqui tem que conviver com criancas mimadas, que tem tudo na vida e nao dao valor. Isso a choca um pouco. E no caso da ucraniana ela está numa família muito chique, com muitas manias e comem muito pouco. Também comentam que às vezes a mae fala num tom áspero, ou entao acham que elas estao lá pra serem empregada, etc. Enfim, nao é fácil. Mas também existem Au-Pairs que se dao super-bem com as famílias e viram amigos para sempre.

Porém o que eu quero contar é outra coisa: Fiquei fascinada pela História da Ucrânia!!! Ela estava me contando que a Ucrânia pertencia à hoje extinta URSS e que a língua oficial era o russo. Ela aprendeu russo desde crianca. Depois a URSS acabou, mas só em 1991 a Ucrânia conseguiu novamente sua independência. Daí o idioma oficial se tornou o ucraniano!!! Ela disse que tenta, mas ainda nao aprendeu bem o ucraniano, a língua materna dela é o russo, em casa sempre falaram russo. Ela trabalhou numa firma onde o chefe era bem nacionalista e fazia questao que toda a comunicacao no ambiente de trabalho fosse em ucraniano. Ela sofreu muito neste emprego para aprender a língua. Ela disse que até entende bem, mas na hora de falar, sai russo. O governo ucraniano tem todo um trabalho de ressuscitar o idioma ucraniano. Achei muito interessante!

Depois disso fui até buscar na Wikipédia, o país tem uma História super complexa, repleta de invasoes, guerras, lutas por independência, dominacoes por parte da Polônia, Áustria, Rússia, Alemanha... Fiquei fascinada, ainda quero conhecer este país!!!

Coloquei o link aí embaixo se alguém se interessar:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ucr%C3%A2nia

5.12.05

Oásis

"A ociosidade é o jardim do diabo" Luis Fernando Veríssimo

A Val me mandou outro dia. Gostei tanto!!!
Eu já imagino o tal do jardim como um oásis. Um refúgio para a aridez do dia a dia. Um pouco de ócio nao faz mal à ninguém. Descansa a mente, abre portas para novas formas de pensar.

Em defesa das mulheres altas

"Nos menores frascos estao os melhores perfumes (ou os piores venenos)." Ditado popular

Ah!!! Hoje as baixinhas que me perdoem, mas eu como portadora dos meus 1,72 nao vou calar, tenho que mostrar o lado das "compridonas", nao?
Quando fiz segundo grau, nas festas, as baixinhas eram sempre as primeiras a serem tiradas para dancar e as primeiras da fila na aula de Educacao Física. E também nao tinham, acredito eu, tanta dificuldade para encontrar roupas bacanas.
Lembro-me bem dessa hora de comprar roupa, era sempre um deus-nos-acuda, as mangas ficavam curtas demais, as barras também. E comprar tamanho G muitas vezes nao adiantava pois ficava largo, demandando ajustes. E roupa ajustada, nem sempre tem o mesmo caimento. Usei muita calca com pences, fica tipo um saco na frente. Sapato entao, nao vou nem comentar. Calco 39 desde os 14 anos. Sapato de festa tem que ser 40, encontrar um legal chega às vezes a ser uma Missao Impossível.
Ainda bem que hoje a indústria de sapatos e de roupas se adaptou e de alguns anos para cá existem muitas roupas e sapatos para o nosso número. Mas nem sempre foi assim.

Também leva mais tempo para uma adolescente alta se acostumar com o tamanho do corpo dela, aprender a dancar nao foi fácil, deixar de parecer desengoncada também nao. Cresci muito rápido, com ossos largos. Fiquei andando como um Frankstein por um bom tempo.

Fora isso, tem muita coisa por aí elogiando as baixinhas e nós altas ficamos de fora. Um conhecido uma vez disse: ´Qualquer "coisa" acima de 1,65 nao é mulher!´
Além de sofrermos porque as baixinhas sempre tiveram mais facilidade para arranjar namorado desde os tempos de escola. Na escola é comum as meninas mais altas serem mais altas que a maioria dos meninos. Se uma baixinha namora um cara meio metro maior que ela, ninguém fala nada. Mas se uma alta inventa de namorar um cara 10 cm menor, já vira motivo de brincadeiras e gozacoes. Por que a mulher tem sempre que ser menorzinha?

Depois que passei da fase crítica dos 15-16 anos, onde impliquei com todas as partes do meu corpo possíveis e imagináveis, comecei a gostar de ser alta. Primeiro porque percebi que, passando o efeito Frankstein, chama atencao. Depois aprendi a andar de salto, ficou mais legal ainda. Segundo porque comecei a perceber que dá pra usar a altura para intimidar certos engracadinhos. Qual foi a mulher que nao sofreu uma tirada de casquinha num ônibus lotado? Também comecei a achar bom na hora de ir para shows, na pedreira Paulo Leminski, eu conseguia assistir tudo, nunca fui espremida pela turba, queixas constantes de minhas amigas baixinhas. Sem contar que dava para enxergar mais gatinhos e paquerar. Também é vantagem nao precisar de um banquinho para pegar coisas no fundo do maleiro do guarda-roupa. Enfim, ser alta também é legal! Só nao precisa ter medo da gente só porque somos "compridonas". Baixinhas nao fiquem bravas comigo. Vocês já têm fans suficientes no mundo inteiro!!!


Perfume bom em frasco pequeno é amostra, oras bolas!

Casamento Doda & Athina

Eu sei que é feio puxar saco de gente rica. E pessoalmente nao suporto gente baba-ovo. Mas fiquei encantada com o fato da Athina Onassis ter se casado em Sao Paulo.

Primeiro porque semana passada conheci uma alema que esteve recentemente em Sao Paulo. Quando ela soube que eu era brasileira, meio que torceu o nariz, disse que esteve no Brasil e sutilmente deixou transparecer que detestou. Ela esteve pra Sampa, Rio e Belo Horizonte. Mas o que ela mais reclamou foi de Sao Paulo. Lógico que ela deve ter passado por lá correndo e nao teve tempo de apreciar as maravilhas que a cidade tem. Coisa que para se fazer, precisa-se de tempo e dinheiro. É como minha experiência com Paris, talvez se eu tivesse muito dinheiro e tivesse ficado mais tempo, eu até tivesse gostado da cidade. Até entendo o porquê de muitas pessoas nao gostarem de Sao Paulo e cada um tem o direito de gostar e desgostar do que quiser.

Mas agora com o casamento da Athina, terei sempre um forte argumento nestas ocasioes: Se Sao Paulo nao fosse uma cidade bacana, a jovem mais rica do mundo nao a teria escolhido para seu enlace matrimonial, certo?

E em segundo lugar fiquei admirada com a discricao com que tudo foi tratado e pela tao comentada simplicidade e despretensiosidade que a cerimônia teve. Fiquei encantada! Li que poucos famosos foram convidados e que a imprensa nao teve acesso à cerimônia. Esta atitude está cada vez mais rara nos dias de hoje, onde todo mundo quer se exibir. Toda a exposicao é bem-vista: Os bebês mal nascem e já estao com suas carinhas estampadas em capas de revista. Pessoas ricas adoram se mostrar e fazer coisas polêmicas para chamar àtencao. Vejam a Paris Hilton, ela vive em tudo quanto é capa, notícia, etc. Nada contra ela, até me divirto lendo as maluquices da loura. Mas por outro lado, acho que isto detona a vida pessoal. E chega uma hora que cansa, mas o povo continua insistindo em querer saber até a cor da calcinha. Sem falar na maldade com que certas pessoas ditas jornalistas tratam da vida alheia de pessoas que sequer conhecem. Pura inveja!
Por isso admiro uma pessoa como a Athina por ser discreta e centrada.

Mas como se nao bastasse tudo isto, eles nao tiveram lista de presentes, eles solicitaram doacoes para instituicoes de caridade. Quem sabe com isto, outros casais ricos, sigam o mesmo exemplo.

Ser chique é também pensar nos menos favorecidos! Sejam muito felizes!

4.12.05

Die Luftbrücke

A ponte aérea. Este filme também é muito legal. É sobre Berlin logo após o término da Segunda Guerra Mundial. Houve uma parte da cidade de ficou isolada pelo muro, obra de Stalin e os mantimentos nao chegavam até lá. Entao os americanos fizeram uma ponte aérea para abastecer os milhares de inocentes que lá estavam isolados. Este filme é romanceado, tem uma história de amor no meio, mas isto nao desvia o foco do filme, até deixa mais interessante, pois é uma história que pode perfeitamente ter se passado. Nada de historinhas de prostitutas que se casam com milionários, nao se preocupem, é uma história de amor bem pé no chao.
Fazendo esta ponte aérea morreram muitos pilotos sendo: 31 americanos, 39 britânicos e 11 alemaes. Os avioes ficaram conhecidos pela populacao de Berlin como Rosinenbomber (aviao de uvas-passas), um apelido carinhoso pelo que eles estavam fazendo.
Recomendo!!!


Love is in the air...

Nao faco propaganda de homem!

Podem achar esquisitice minha, mas criei uma comunidade no Orkut com este título. Onde é que já se viu? Está cheio de comunidade tipo "Meu marido me pega de jeito", "Meu namorado é fofo".
Podem falar que eu nao confio no meu taco, olha... nao é por nada, mas nunca catei homem com taco, pra comeco de conversa, depois... é uma coisa meio óbvia. Por que iríamos estar ao lado do cara se nao fosse pelas virtudes que ele têm? E depois, para que ficar alardeando esse tipo de coisa por aí. Nao cheguei a espiar, mas fico imaginando o fórum destas comunidades:
"O que ele faz para te enlouquecer?"
"Qual o perfume que ele usa?"
"Por que ele é tao fofo?"
Nao há como participar sem escancarar a intimidade do casal, ou do cara, que muitas vezes nao sabe que a mulher ou namo participa deste tipo de comunidade. E mesmo as que participam sem postar no fórum... Nao acaba sendo uma propaganda do cara? Ou entao uma propaganda negativa, porque aos meus olhos parece que ela tá tentando se auto afirmar diante das outras mulheres dizendo que ela está "bem servida".
Bom, mas acho que tem que ter comunidade para todos os gostos. Nao quero ofender ninguém é apenas minha humilde opiniao. E se alguém pensa diferente, até trocaria uma idéia.
Mas a minha posicao é: Nao faco propaganda de homem. Amanha, depois de tanta propaganda, nao se surpreenda se outra vier dar em cima dele. Daí tem um monte de comunidades no Orkut do tipo "Eu odeio quem dá em cima do meu marido". Tudo bem, eu nao odeio, posso dizer que eu nao gosto, mas tem algumas que sinceramente nos divertem pra caramba. Mas o que eu quero dizer nao é isso, quero dizer que às vezes tem mulher dando em cima do nosso querido, seja ele marido, noivo, namo, ficante, ex, porque a gente falou demais e notícias boas se espalham.
Por isso... minha opiniao é esta: o que acontece na intimidade do casal nao concerne à ninguém mais a nao ser a eles mesmos!


Minha filha, homem bom nao se faz propaganda!

Hotel Ruanda

Assisti a um filme maravilhoso, triste, mas bem do jeito que eu gosto: um filme forte com uma grande mensagem, mostrando a História como ela foi.
Nada contra quem elege "Uma linda Mulher" como seu filme predileto, mas contos de fadas para, prefiro os de Andersen. Acredito no cinema como uma forma de mostrar a realidade, denunciar, botar a boca no mundo. Vejo no cinema uma forca político-social. Recomendo!!! Neste filme você vai entender a diferenca entre um Hutu e um Tutsie e porquê houve a guerra civil e muitos outros fatores que ocorreram que nao conseguiram impedir o genocídio de milhares de inocentes.


A família protagonista: Um hutu casado com uma tutsie e seus filhos em meio à guerra civil.

2.12.05

Porque eu nao tenho uma panela de Fondue

Eu e o Ike já havíamos juntado as escovas de dente, mas aquele seria o nosso primeiro Dia dos Namorados juntos. Isto foi em 2003.

Como eu já havia passado muitos Valentine´s Days sozinha em minha vida, para mim esta data se tornou inútil e só existe por motivos meramente comerciais.
E fora a sensacao de nostalgia que abraca a todos àqueles que na famigerada data estarao sozinhos. É triste! Sem contar na minha mania de ser sempre do contra.

No nosso primeiro Dia dos Namorados eu simplesmente nao sabia o que fazer, onde ir e nem nada. Só sabia que todos os lugares em Curitiba desde shoppings até motéis ficavam entupidos de gente, ou se pagava mais caro para reservar o lugar com antecedência ou arriscava a amargar a romântica data em uma fila sob o frio junino de Curitiba. Por este motivo, decidimos passar a data em branco e capricharmos na comemoracao de alguma data que tivesse realmente um significado para nós. Entao nao faríamos nada além de levar as nossas vidas normalmente naquele que seria o nosso primeiro dia dos namorados juntos. Ok! Combinado!

Acontece que o dia 12 de junho chega e tudo está lindamente ou cafonamente, depende do ponto de vista, decorado com coracoezinhos vermelhos, beijinhos, lacinhos, flores, velas perfumadas, etc. Nem o refeitório das fábricas onde trabalhávamos escapou à invasao romântica: Música ambiente, bexigas em forma de coracao e sobremesa especial. As colegas de trabalho recebendo buquês de flores com ursinhos, caixa de bombons e cartoes apaixonados em forma de coracao, os telemensagens trabalhando a todo o vapor, celulares tocando sem parar, o povo trocando e-mails com mensagens de Power Point românticas com musiquinhas de fundo, cestas de café da manha ou de queijos e vinhos chegando em frotas de moto-boys, os out-doors com propagandas de perfumes, óleos de massagem, motéis e restaurantes. Assim foi este dia em 2003. Por mais que eu desejasse ser do contra, acabei me contaminando pela atmosfera de dia dos namorados. E o Ike também.

Ele foi me buscar na faculdade e disse que NOS daria um presente, que nós dois iríamos usar. Àquelas alturas do relacionamento e da minha paixao o único presente que eu queria era uma alianca, podia ser de qualquer metal, que simbolizasse a nossa uniao. A caminho do shopping comecei a brincar de adivinhar o que seria o meu presente, fui chutando várias coisas e tudo ele dizia que nao. Mas quando perguntei se seria um piercing ele apenas disse: Parecido.

Pronto! Ele estava me levando ao shopping para comprar uma alianca! Uma coisa para nós dois usarmos, parecido com piercing. Só poderia ser uma alianca!!! Fosse de prata, ouro ou latao, nao importava! Mas nós estaríamos de alianca! No restante do trajeto fiquei quietinha, sonhando com o nosso presente e no significado importante que o nosso relacionamento estaria assumindo naquela data cheia de coracoezinhos, velas perfumadas e propagandas de casais se abracando.

Chegamos no shopping passamos reto pela primeira joalheria, tudo bem, aquela era super cara mesmo! Passamos direto pela loja de jóias de prata, tudo bem, talvez ele queira algo de ouro! Fomos passando reto por todas as lojas de jóias e finalmente entramos numa loja de móveis e eletrodomésticos! Ali minha bexiguinha murchou, na hora. Ele, todo contente, me mostrou a panela de Fondue que ele havia escolhido para NOS dar de presente de dia dos namorados! E a coisa parecida com piercing? Ah! Era só pra me despistar! Ah! Achei a panela pequena, cara, feia, horrorosa, esdrúxula, fiquei com dor de cabeca na hora e disse que nao queria comprar panela nenhuma, eu queria só ir pra casa.

Fechei a cara. E ele... sem entender NADA! No caminho para casa ele tentando me animar, resolveu parar em alguns restaurantes, tudo lotado! À esta altura nós dois já estávamos famintos e de mau humor. Uma combinacao altamente inflamável. Fomos para casa, os dois com cara de cuíca. Em casa tentamos conversar, mas... a geladeira estava vazia, bem coisa de vida de universitário, e conversar assuntos delicados de barriga vazia nao é uma boa coisa. Contei para ele da minha expectativa que ele tinha acabado de frustrar e ele me contou da expectativa dele que eu tinha acabado de frustrar. Virou briga, lógico!

E se nao fosse a batata do Beto Batata chegar, acho que nem teríamos feito as pazes naquela noite.

A panela de Fondue virou um símbolo negativo para nós, dos mau entendidos, das expectativas alheias que nao conseguimos suprir, das brigas de casal com estômago vazio e do poder que o marketing tem de ditar o comportamento humano!

No dia dos namorados seguinte, já estávamos casados e preparando nossa mudanca para a Alemanha. Foi tanta correria que acho que desta vez sim passamos a data em branco. E sorte que aqui na Alemanha o dia dos namorados é 14 de fevereiro e o marketing em cima disso nao é tao forte.

Entao nossos próximos dias 12 de junho serao dias muito normais mesmo. E se nao sao vocês nos lembrando, confesso, é um dia que passa batido mesmo.


Ike, olha o que o Papai Noel vai te trazer!!!

1.12.05

Mis ojos, ventanas de mi alma


Olha se nao é a cara do papai!

Nossa sala

Na sala a novidade sao as almofadinhas vermelhas e o enfeitinho natalino.


Senta aí, vou coar um café num instante!
Que café o quê??? Pega a Caninha Oncinha ali na estante!

Nossa cozinha

Final de semana passado colocamos essa vara aí na cozinha. Ficou mais prático e finalmente tem lugar para pendurar cositas. Essa aí é a foto mais recente da nossa Küche.


E essa louca aí em cima, quem é que vai guardar?

Voltinha inaugural no carro novo!!!

Finalmente depois de uma longa e tenebrosa primavera... Estamos de novo de carro! Pelo menos agora nao vai dar preguica de ir pra aula de alemao à noite... imagine pedalar à noite com neve... brrrrrrr!!!


Pixoxós felizes e motorizados